Hoje vamos conhecer mais sobre a RCP em bebês e crianças. A reanimação cardiopulmonar é um procedimento de salvamento utilizado em emergências onde a respiração ou os batimentos cardíacos param.
De acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia, até o final de 2023, 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação.
Ao mesmo tempo, muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas.
Nesse contexto, o RCP em recém-nascidos é um conhecimento fundamental que pode dobrar ou triplicar as chances de sobrevivência dos pequenos.
Classificação de pacientes: bebê ou criança?
Primeiramente, vamos entender sobre a classificação dos pacientes:
- bebês – de 0 a 1 ano (com exceção dos que estão na sala de parto);
- crianças – a partir de 1 ano até os primeiros sinais de puberdade (nos meninos, os pelos no corpo e nas meninas, o início da formação das mamas).
Antigamente, falava-se em 7 ou 8 anos como a idade limite da criança, mas hoje classificamos de acordo com esse aspecto fisiológico.
Entretanto, a faixa etária é considerada de forma diferente na orientação de uso do DEA (Desfibrilador Externo Automático).
Etiologia da PCR em pediatria: o que difere do adulto?
A princípio, a maioria das paradas cardíacas nos adultos são provenientes de alguma arritmia cardiológica, ocasionando uma PCR (Parada Cardiorrespiratória) e, em alguns casos, é consequência de um processo de deterioração.
Por outro lado, quando falamos em pediatria, raramente a etiologia, ou seja, o motivo principal da parada cardíaca é cardiológico.
A causa mais comum de PCR em bebês e crianças é a hipóxia, uma condição em que não chega oxigênio suficiente às células e tecidos do corpo, mas a parada cardiorrespiratória também pode surgir por conta de algum outro quadro que vem se arrastando, infeccioso, respiratório.
Por conta dessa diferença de etiologia que falamos, no caso de crianças e bebês o que vale é a monitorização.
Monitorização dos sinais de PCR
A monitorização da PCR em pediatria nos ajuda a impedir que esse paciente deteriore por muito tempo (por conta de uma febre, taquicardia, falta de ar ou quadro infeccioso prolongados, por exemplo), além de conseguir observar os sinais que são gatilhos para a PCR, podendo evitá-la.

E aí vem a questão mais crítica: a maioria dos bebês e crianças que são acometidos pela parada cardiorrespiratória desenvolvem uma lesão cerebral grave por conta da necessidade de oxigenação que uma criança tem. Portanto, nesses casos é mais importante ainda evitar essa intercorrência e a possível sequela neurológica.
Além disso, é preciso estar atento à fala dos pais, pois ninguém melhor do que a mãe para conhecer a criança.
Só para exemplificar, se uma mãe pede para o profissional de saúde olhar a sua criança porque ela não está bem, fique atento aos sinais.
Já presenciamos casos em que os responsáveis comentaram que o filho estava prostrado e o profissional respondeu que a criança está bem porque está “quietinha”. Mas não é assim.
Ao contrário, se essa é uma criança agitada e está agora prostrada, esse é um sinal de alerta e temos que considerar tal comportamento na nossa tomada de decisões.
RCP em bebês e crianças

De imediato, nosso foco é prevenir, mas a PCR acontece e, apesar de ninguém gostar de presenciar um caso crítico, temos que minimizar os danos.
Primeiramente, na reanimação cardiopulmonar em pediatria temos que priorizar a ventilação mecânica exatamente porque nesses casos a causa não é cardíaca (a não ser em pacientes congênitos e outras exceções).
Quantas compressões realizar em uma RCP pediátrica?
Sendo assim, a quantidade de compressões do RCP em bebês e crianças vai depender do número de socorristas:
- 1 socorrista: havendo somente um profissional, ele deve variar a relação compressão-ventilação, atendendo como se fosse um adulto (30 compressões de alta qualidade para duas ventilações).
- 2 socorristas ou mais: no caso de pelo menos dois profissionais para atender esse paciente, reduzimos o tempo para conseguir ventilar mais vezes por minuto e garantir mais oxigenação.
Assim, um fica na via aérea e o outro nas compressões, fazendo 10 ciclos de 15 compressões de alta qualidade para duas ventilações, sempre alternando a função dos socorristas após o término dessa quantidade de ciclos.

Ademais, precisamos considerar outro fator em crianças: o coração delas bate mais rápido, e, portanto, tem mais batimentos por minuto.
Logo, o coração não precisa estar parado para ser considerado uma parada cardiorrespiratória.
Se a criança ou bebê estiver com menos de 60 batimentos por minuto com sinais de hipoperfusão, isso significa que ele/ela está em PCR e temos que fazer a RCP.
Ou seja, ao checar o pulso da criança ou bebê e perceber que esse paciente está arroxeado e com sinal de hipoperfusão, atenda-o com a RCP.
Parada presenciada e não presenciada
Quando nós temos uma PCR presenciada na criança ou bebê, isso quer dizer que ela ficou em estado de pouca oxigenação durante um curto período, então teoricamente teríamos tempo para chamar o socorro e trazer o DEA, se estiver disponível, para depois iniciar a RCP.
Agora, se esse bebê “parou” e não sabemos quanto tempo ele teve de parada cardíaca, precisamos primeiro fazer dois minutos de atendimento de RCP para depois chamar o socorro.

Em outras palavras, se você presenciar a parada cardíaca, tem tempo para chamar socorro, mas se você não presenciar, não pode chamar socorro no momento.
Isso porque é preciso atender por pelo menos dois minutos para tentar mandar algum oxigênio para aquele organismo e então depois chamar o socorro.
Temos que seguir isso à risca, pois apesar da ajuda ser importante, a falta de ação imediata pode gerar sequelas rápidas e severas no organismo da criança ou bebê atendido.
É claro que com os recursos tecnológicos de hoje é possível atender e chamar ajuda quase que ao mesmo tempo, mas precisamos priorizar a assistência quando for necessário para não aumentar a hipóxia do bebê.
Cuidados na ventilação na RCP em bebês e crianças
Antecipadamente, vemos uma negligência nos casos de adultos em relação à ventilação por meio de bolsa-válvula-máscara (Ambu).
Porém, quando estamos lidando com crianças, pedimos sempre que as ventilações sejam de alta qualidade, mas sem hiperventilar.
Às vezes o profissional quer ventilar tanto que ele causa um barotrauma, aumentando a elevação do tórax e diminuindo assim o retorno venoso.
Lembre-se: fazer bem-feito não é fazer muito! A American Heart Association (AHA) recomenda inclusive que essa assistência seja a mais próxima possível do processo fisiológico de respiração.
Aprenda tudo sobre RCP em bebês e crianças na pós-graduação de Enfermagem em Urgência e Emergência
A habilidade de realizar uma RCP em bebês e crianças é fundamental principalmente para os profissionais de saúde que atuam em situações emergenciais e críticas.
Nesse contexto, conhecimento e treinamento são a chave para garantir maiores chances de sobrevivência desses pequenos pacientes, que possuem características anatômicas e fisiológicas específicas.
Por isso, aprimore os seus conhecimentos com conteúdos atualizados e profissionais da área especialistas no assunto.
A especialização de Enfermagem em Urgência e Emergência garante uma abordagem completa sobre os procedimentos de reanimação e atividades práticas que direcionam para o mercado.
Por fim, te convidamos a continuar se especializando com os conteúdos do blog do IESPE! Confira o nosso vídeo com informações importantes da Reanimação Cardiopulmonar:
Autores:

Amanda Dias
Enfermeira
Coord. da Pós-graduação de Urgência e Emergência pelo IESPE; Enfermeira Intensivista pela UFJF e Emergencista pela Uniredentor; Docente e Instrutora do curso de extensão APH Trauma – IESPE; Instrutora do BLS – Basic Life Support pelo IESPE-SOMITI/AHA American Heart Association; Enfermeira no SAMU Três Rios e na Fundação Hemominas de Juiz de Fora.
18 comentários em “RCP em bebês e crianças: como é um atendimento de alta qualidade?”
Excelentes as informações, sou estudante de enfermagem e estava precisando desses esclarecimentos! Grata!
Sou técnica enfermagem em pronto atendimento ótimo adorei as explicações obgda a equipe enfermeiros.
Amei o material apresentado!
Estou iniciando nos estudos de Enfermagem e essas informações me ajudarão muito!
Parabéns e obrigada!
Que ótimo, Luciana!
Seja sempre bem-vinda 🙂
Obrigada! Ajudou muito.
De nada, Adriana! Que bom que o conteúdo te ajudou também 🙂
Olá, parabéns pelo portal. Fiquei surpreso com a informação de que na PCR não presenciada em crianças a orientação é fazer um ciclo de RCP antes de chamar ajuda. Esta orientação está sendo usada baseada em qual literatura e a quanto tempo? Desde já agradeço a atenção.
Obrigado, Jonathan!
As orientações são baseadas nos Guidelines da AHA (American Heart Association) e ILCOR (Comitê Internacional de Ligação em Ressuscitação) de 2015. A grande maioria das crianças param por hipóxia (falta de oxigenação). Quando você atende uma parada de criança ou bebê e ela não é presenciada, ou seja, o socorrista não sabe há quanto tempo ela pode ter acontecido, a recomendação é fazer dois minutos de resgate nessa criança e a ressuscitação de resgate sem chamar ajuda. Depois de promover os minutos de assistência, aí sim é recomendado chamar ajuda, exatamente porque a prioridade é corrigir a hipóxia.
Espero ter ajudado!
Abraço,
Oi Marcus pode se fazer em uma criança de 9 anos rcp com as duas mão desde já agradeço
Queria saber também qual o ciclo deve ser feito? Em crianças e bebês é 10 ciclos de 15 compressoes e duas cintilações?
Após 10 ciclos suspende as compressões e ventilação?
Oi Renata! Tudo bem? Após 10 ciclos, troca o socorrista da compressão que deve ficar nessa função por no máximo dois minutos. Para suspender o suporte básico de vida existem alguns critérios que são discutidos entre a equipe. Como exemplo podemos citar a fadiga da equipe.
rigor mortis, exaustão da equipe para compressões eficientes, retorno cardíaco e de consciência voluntário, ordem de médico no local.
Parabéns pelo conteúdo!! Muito elucidativo e de fácil compreensão!
Gostaria de saber sobre as diferenças de ritmo (100 a 120 compressões por minuto – adulto) e profundidade (5 a 6 cm – adulto). Para crianças e bebês o que muda?
Olá Pablo! A velocidade de 100 a 120 compressões por minuto independe da faixa etária. Em relação a profundidade: bebês são 4cm, crianças entre 4-5cm. Lembrando que consideramos crianças a partir de 1 ano até os primeiros sinais de puberdade; e bebês são os menores de 1 ano (exceção dos bebês em sala de parto – recém nascidos).
Sou novata aqui RS Estou fascinada com tantas informação.
… Adriana,
Voltarei mais vezes 🙂 obrigado dicas de milhão 👏
Obrigada Adriana! Seja bem-vinda. Volte sempre.