A real intervenção do professor na otimização da aprendizagem 

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Entenda a relação do aluno com a escola e como essa experiência pode se tornar mais positiva através do trabalho do professor

Quando o despertador toca de manhã, a rede neuronal do aluno começa a ser ativada, levando à consciência uma série de dimensões da realidade com que ele terá contato no dia que se inicia. Uma delas, e talvez sua principal, é a dimensão social. Afinal de contas, sua ocupação primária será a escola, que no modelo atual divide seriadamente as crianças e as agrupa por faixa etária, criando núcleos próximos embora heterogêneos.

Essa dimensão tem fundamental importância para a construção do sujeito, por diversos motivos. O primeiro deles é o caráter do meio onde o sujeito se depara com objetos essenciais a sua sobrevivência e o segundo é o fato de o sujeito viver nessa dimensão experiências com elementos ameaçadores, sendo, portanto, fonte de prazer e dor na construção do indivíduo que aprende.

 

A relação da criança com a escola

Em “Mal-estar na civilização”, Freud disse que:

Nosso sofrimento provém de três fontes: o poder superior da natureza, a fragilidade de nossos próprios corpos e a inadequação das regras que procuram ajustar os relacionamentos mútuos dos seres humanos na família, no Estado e na sociedade. (FREUD,1927-31,p.48).

Esse ajustamento dos relacionamentos mútuos implica diversas barreiras para a realização dos desejos, implicações essas que possibilitam ao homem se relacionar, viver de forma pacífica e se proteger da natureza. No entanto, esse obstáculo imposto pela civilização deve dizer algo a respeito do desejo. Deve explicar de onde surgem essas vontades que devem ser barradas para o bom funcionamento e manutenção da civilização e quais consequências a sociedade teria se elas fossem realizadas.

Ora, ninguém acorda cedo com o pensamento: “hoje irei fracassar na prova, decepcionarei meu melhor amigo e terei problemas de indisciplina no grupo escolar a que pertenço. ”

A relação da criança com a Escola deve ser então de prazer, para que ela prontamente responda às rotinas, fazeres e necessidades desse contexto social, de modo que seu rendimento seja ancorado em sua potência de vida.

O senso de ter feito o melhor em substituição ao de ter feito o possível faz com que a autoestima seja sempre real, iniciando assim a rede neural de autoajustamento, centro inibitório comportamental e centro de controle dissociativo motor. E essa experiência positiva é muito possibilitada por profissionais da Educação, principalmente os  especializados em áreas como a Psicopedagogia e a Neurociência da aprendizagem.

 

Quais atitudes do professor podem ajudar o aluno?

A baixa autoestima gera mecanismos psíquicos de ancoragem negativa, fazendo, por exemplo, que a criança aprenda o quadro de desamparo, chegando à conclusão de que não adianta o tamanho do seu esforço, nunca será satisfatoriamente recompensada.

O professor deve estar muito atento a esse quadro, promovendo a configuração da sala de aula de modo que os alunos previamente identificados com dificuldade de atenção e concentração estejam sempre nas carteiras mais próximas aos professores, ficando mais distantes dos ruídos da sala e mais próximos da fonte da informação. O tom de voz usado deve ser teatral, oscilando entre o baixo e o enfático, auxiliando o aluno a perceber o que é ponto fundamental do discurso, facilitando sua memorização.

É preciso enfatizar e ressaltar os pontos mais importantes do conteúdo para que sejam criados pontos de acesso na memória de trabalho por livre associação. Com base nessa rotina, o professor deve ensinar ao aluno a fazer resumos e esquemas, de modo a tornar graficamente entendível os pontos-chave associados na memória de trabalho.

É preciso substituir o pensamento de que o aluno não sabe nada e só aprende porque tem o professor para ensinar pela certeza de que o aluno já chega à sala de aula com algum conhecimento sobre o assunto que será tratado. Assim, comece sua aula com perguntas tipo Quiz, que são questões rápidas que podem ser respondidas com uma palavra ou com sim ou não, ou inicie com um Brainstorm, uma tempestade cerebral, em que o aluno falará palavras ou conceitos que ele já conhece ou imagina que seja vinculado ao tema proposto.

Por fim, reforço, como sempre, o mantra “aula dada é aula estudada”. Lembre-se: repetições otimizam lembranças.

Autor:

Sérgio de Carvalho
Educador físico
Pós-graduado em Neuropsicopedagogia (UCAM) | Licenciatura plena em Educação Física (UFJF) | Professor de Pós-graduação em Psicopedagogia e Gestão Pedagógica | Diretor da Clínica MomentuM/Desenvolvimento Integral e psicomotricidade.
Foto de Sergio De Carvalho

Sergio De Carvalho

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