Aprenda a reconhecer as fake news e acesse a nossa lista de fontes confiáveis
Prender a respiração por 10 segundos é método indicado pelos médicos chineses para identificar o contágio! Gargarejar água morna elimina o novo coronavírus! Encomendas da China vêm contaminadas com o coronavírus! Soa familiar? Provavelmente você já recebeu alguma notícia dessas no seu whatsapp. Mas como identificar o que é fake news em meio a tanta informação?
Para te ajudar, o IESPE separou dicas de verificação de notícias e de identificação das fake news. Para que você se mantenha informado com segurança, também adicionamos uma lista de fontes confiáveis.
O que devo fazer após receber uma mensagem?
O primeiro passo sempre deve ser o questionamento e a busca por respostas em fontes confiáveis. Não compartilhe antes de fazer essa verificação.
1) Leia, escute ou assista o conteúdo e digite imediatamente a informação no Google. Exemplo: se a informação, independente do formato, foi sobre uma vacina criada por Cuba, digite isso na busca.
2) Observe se a informação aparece em diversas fontes e se elas são confiáveis (jornais desconhecidos e blogs de pessoas ou organizações duvidosas não contam). Dê preferência para as fontes que listamos abaixo. Se o conteúdo é uma imagem, clique com o botão direito do mouse e depois em “pesquisar no Google” para verificar se ela já não foi publicada antes em outro contexto.
3) Observe se alguma fonte confiável já publicou algo dizendo que aquela informação é fake news. Muitos jornais e o próprio Ministério da Saúde estão criando páginas com esse objetivo (confira abaixo).
4) Para ter certeza, entre em contato com uma das organizações confiáveis. Em Juiz de Fora, por exemplo, o Hospital Monte Sinai forneceu um canal exclusivo para que profissionais de saúde possam esclarecer dúvidas sobre o COVID-19. É só ligar para o número 32 2104 4759 em horário comercial.
Quais são as fontes mais confiáveis?
As fontes mais confiáveis são as organizações governamentais e instituições oficiais (mundiais ou nacionais) relacionadas à saúde. Você também pode consultar a imprensa profissional, que possui jornalistas cujo trabalho é justamente validar informações com as entidades corretas antes de divulgá-las.
- Ministério da Saúde
- Organização Mundial da Saúde (OMS) – Acione a tradução da página
- SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia)
- Sociedade Brasileira de Infectologia
- Organização Pan-Americana de Saúde
- Imprensa profissional
Conteúdos confiáveis sobre as fake news
Algumas organizações publicaram páginas específicas para que você possa identificar as fake news do coronavírus e também tirar as suas dúvidas. A lista abaixo será atualizada conforme aparecerem propostas semelhantes. Confira:
- Ministério da Saúde – Fake News
- World Health Organization – Myth busters – Acione a tradução da página
- SBPT – Mitos e verdades sobre o coronavírus
- Organização Pan-Americana de Saúde – Folha informativa
- G1 Fato ou Fake
Como identificar as fake news?
As fake news podem aparecer em diferentes formatos, mas costumam seguir um padrão: informações vagas (nomes completos de profissionais e organizações raramente são citados), fala exagerada, soluções milagrosas e falta de fontes são apenas alguns dos itens comuns. Mas elas estão cada vez mais refinadas, até simulando layouts de jornais para validar aquilo que é dito e conseguir enganar você.
Leia os questionamentos abaixo e repita mentalmente sempre que receber algo. Para facilitar, vamos analisar em cada item exemplos que andam circulando nas redes sociais. E lembre-se: só compartilhe uma mensagem depois de verificar o que é dito!
1) A notícia tem uma fonte, com um link confiável?
A maioria das notícias falsas não possui fontes. Já algumas somente citam autoridades e organizações para que os dados pareçam verídicos. Outras até adicionam links, mas você deve ficar atento à página de destino: observe sempre em que site a notícia está, pois atualmente é fácil simular o layout e a linguagem de jornais ou instituições. Independente do link ou da imagem, siga o passo a passo de verificação que compartilhamos no início da matéria.
No exemplo abaixo, divulgado recentemente, o criador da imagem teve o cuidado de incluir símbolos do governo e do Ministério da Saúde, simulando não só as cores e o design, mas também a linguagem.
Fake news recente incluía símbolos do governo e alertava sobre punição de idosos com suspensão da aposentadoria.
2- As informações são específicas?
Geralmente as fake news são vagas. Perceba, por exemplo, o frequente uso de títulos com “Cientistas comprovam” ou “Estudo afirma”, sem citar nomes de cientistas, testes realizados, dados obtidos ou qualquer detalhamento sobre o caso. Mas tome cuidado! Em algumas notícias falsas a invenção de nomes e de estatísticas pode enganar o seu senso crítico. Por isso, é sempre importante verificar o que é dito!
Note que na mensagem abaixo em nenhum momento é dito o nome das instituições médicas, nem da profissional de saúde que supostamente passou as informações.

3- A informação faz sentido?
Os seus maiores aliados são o bom senso e o pensamento crítico. No desespero da situação, é fácil esquecer dos conhecimentos que você já tem sobre um assunto ou não pensar no que é lógico no contexto. Por isso, a melhor tática é questionar sempre.
Faz sentido, por exemplo, o ministro da Saúde divulgar informações de maneira tão informal, em um áudio de WhatsApp? Muitos acreditaram porque estavam ansiosos por informações. Em entrevista coletiva, o ministro Mandetta esclareceu: “Todas as informações que eu for passar para a população serão feitas pelos canais oficias do Ministério da Saúde”.
4- O conteúdo é realmente recente?
Muitas vezes, um mesmo conteúdo pode ser compartilhado em épocas e contextos diferentes com o objetivo de provocar emoção e/ou favorecer algum lado de uma discussão. Em vídeos e imagens esse problema é ainda mais frequente. Observe se a mensagem ou notícia informa uma data e verifique sempre em outras fontes.
No caso abaixo, que circulou recentemente na internet, a imagem de um leão andando no asfalto aparece atrás de uma manchete que simula o design de canais de notícia como a CNN. O título em linguagem jornalística anunciava que a Rússia tinha soltado mais de 500 leões nas ruas para garantir o isolamento social de sua população.
A invenção pode ser uma das mais absurdas que surgiram nos últimos dias, mas é um ótimo exemplo do que falamos antes. Repare que não é possível encontrar nenhum logo no canto da tela e a reportagem é, de fato, falsa. Já as imagens são reais, de outra época e contexto: a foto é de 2016 e mostra o leão Columbus em uma rua de Joanesburgo (África do Sul), participando de filmagens locais.
5- A mensagem é exagerada?
Jornais profissionais não admitem linguagem exagerada em suas notícias, que devem ser objetivas e factuais. O mesmo serve para instituições oficiais relacionadas à saúde. Mesmo que a mensagem que você recebeu seja assinada por um cidadão comum, repare nas palavras usadas. Muitos adjetivos, além de linguagem sensacionalista, emotiva e alarmista são elementos comuns em fake news. Afinal, o objetivo geralmente é causar emoção e fazer com que você leia sem pensar, compartilhando com urgência.
Observe como a fake news abaixo já começa com uma afirmação revoltada e muitos pontos de exclamação. A mensagem sobre a morte de pacientes também provoca uma reação no leitor, que fica perturbado com a injustiça anunciada e tem mais chances de compartilhar.

Aproveite para conferir o vídeo abaixo, produzido pela BBC Brasil, com um passo a passo de identificação das Fake News. O Grupo Globo também fez um vídeo com outras dicas de jornalistas.
Por que as fake news são perigosas?
Compartilhar mensagens no whatsapp e em outras redes pode parecer inofensivo, mas é algo sério. Com a sua participação e de seus contatos um conteúdo falso pode se alastrar a uma velocidade impressionante. O perigo das fake news é tanto que o governo da África do Sul chegou a promulgar uma lei prevendo pena de prisão de até seis meses para cidadãos que divulguem fake news sobre o COVID-19.
Pense que com uma informação incorreta seus amigos e familiares podem fazer um diagnóstico inadequado, ingerir substâncias danosas ou tomar outras atitudes imprudentes que prejudicam a saúde mental e física deles e de outras pessoas.
Fique atento às notícias falsas, faça a verificação sempre e conte conosco para responder dúvidas. Nossos profissionais de saúde estão à disposição para ajudar.